Equipa vencedora vai a St. Andrews
Old Course à espera dos campeões 2017

Por Rodrigo Cordoeiro

Tal como no ano passado, um dos aliciantes do Expresso BPI Golf Cup 2017 é o prémio que irá ser atribuído aos elementos da equipa campeã: uma volta de golfe no Old Course de St. Andrews, cortesia da Allianz, patrocinador do Expresso BPI Golf Cup e Global Partner do St. Andrews Links Trust, a empresa municipal a que pertencem os campos de golfe de St. Andrews, na Escócia. No fundo, é um regresso do torneio, agora em extra-competição, ao mais mítico de todos de todos os lugares do golfe, já que foi aí que se realizaram duas Finalíssimas, em 2008 e 2011, a primeira ganha pelo BPI Açores, a segunda pela Viagens Abreu.

“Quando lá estivemos, sentimos que era um lugar verdadeiramente especial, vimos nos jogadores um entusiasmo que nunca tínhamos visto em golfistas ao longo destes anos todos”, revela João Morais Leitão, da Media Golf, para explicar o prémio que irá ser atribuído aos elementos da equipa campeã no Expresso BPI Golf Cup 2015: uma volta de golfe no Old Course de St. Andrews, cortesia da Allianz, patrocinador do Expresso BPI Golf Cup e Global Partner do St. Andrews Links Trust, a empresa municipal a que pertencem os campos de golfe de St. Andrews, na Escócia.

É um regresso do torneio, agora em extra-competição, ao mais mítico de todos os lugares do golfe, já que foi aqui que se desenrolaram duas Finalíssimas, em 2008 e 2011. E, de facto, na primeira ocasião, a ânsia de conhecer o percurso por parte dos jogadores era tanta, que na véspera do grande embate entre BPI Açores e Grupo EDA, eles não resistiram a visitá-lo: depois do jantar, já noite e com uma temperatura de três graus negativos, andaram por cima dos buracos 1 e 18, palco de tantos momentos históricos. Para os mais leigos sobre o assunto, poderá parecer estranho: “Mas então isso é assim? Chega-se lá e entra-se sem mais nem menos num lugar sagrado do desporto mundial?” É verdade. Na costa leste da Escócia, o Old Course, como os outros cinco percursos da cidade, é público e não tem qualquer vedação ao seu redor. Aos domingos, o percurso fecha para descanso e a população pode mesmo passear nele e até fazer piqueniques como se fosse um jardim. Francisco Bettencourt, do Grupo EDA, diz que foi “uma experiência inesquecível, o golfe no seu estado mais puro”.

Gonçalo Xavier, do BPI, fala de "um dia que considero a todos os títulos inesquecível.” Na segunda edição da Finalíssima no Old Course, três anos depois, foram Viagens Abreu, Longshot e BPI Açores a marcar presença. “Foi uma experiência magnífica, a de jogar num campo onde se sente, em cada fairway e em cada green, referências histórias”, diz Victor Cruz, capitão do BPI Açores. João Guerra, da Longshot, fala do “peso emocional” de evoluir num percurso mítico. Jorge Abreu, capitão da Viagens Abreu, que se sagraria campeã, revela: “Eu tinha dito ao meus parceiros que no dia em que ganhássemos o Expresso BPI Golf Cup, seria em grande.” E foi mesmo, em solo sagrado da modalidade. “O espírito golfístico da cidade de St. Andrews é incrível, respira-se e transpira-se golfe de uma maneira única”, acrescenta.

A cidade de William e Kate

O peso da história está, aliás, presente em toda a envolvência da pequena e pacata cidade de St. Andrews, onde William e Kate, feitos duques de Cambridge, se conheceram enquanto estudavam na prestigiada universidade com o mesmo nome. O Royal & Ancient Golf Club of St. Andrews, cujo home course é o Old Course, é um dos mais antigos clube de golfe do mundo. Foi fundado em 1754, sob o nome de Sociedade dos Golfistas de St. Andrews. Em 1834, o rei William IV tornou-se o seu patrono e foi então adoptado o título inicial. Um dos mais antigos e também o mais poderoso clube do mundo. Nos 30 anos seguintes à sua fundação, começou a codificar as regras do golfe e hoje é a entidade que governa a modalidade em todo o mundo, excepto EUA e México (estes países são regulados pela USGA). Uma das peculiaridades deste clube nascido é a sua faceta filantrópica. Organiza e factura milhões com o British Open e a venda de merchadising, mas devolve todos os lucros em prol do desenvolvimento do golfe em todo o mundo, nomeadamente no incentivo aos jovens, aos países em desenvolvimento (através da respectivas federações), programas de ensino e infra-estruturas. No ano 2000, o o Oporto GC, em Espinho, viu o clube de St. Andrews financiar-lhe a construção do driving range. Em 2011, a Federação Portuguesa de Golfe recebeu o seu apoio para um projecto de desenvolvimento do golfe juvenil cujo objectivo é dotar 1343 escolas em todo o país com equipamentos de golfe, sejam bolas de golfe, tacos, tacos para crianças, etc. Depois, mais nenhum campo recebeu tantas vezes o British Open como o Old Course. Foram nada menos do que 28 vezes, a última em 2010, ganha pelo sul-africano Louis Oosthuizen. Ganhar aqui a mais antiga prova do Grand Slam é a maior glória que se pode alcançar no golfe, e entre os seus campeões constam Bobby Jones, Jack Nicklaus, Tiger Woods (estes últimos dois com o recorde de dois triunfos no Old Course), Seve Ballesteros e Peter Thomson. Não foi por acaso que Jack Nicklaus, o recordista de vitórias em ‘majors’, norte-americano, optou por St. Andrews para se despedir das competições, em 2005. No adeus aos relvados, Nicklaus posou para a fotografia na Swilcan Bridge, a ponte existente sobre o ribeiro no buraco 18. “É o lugar mais especial para se ganhar um torneio de golfe”, disse. Tiger Woods, que venceu pela segunda vez em St. Andrews nessa edição de 2005, está plenamente de acordo: “É de longe o meu campo preferido. Foi onde o jogo realmente começou. Não há nenhum outro que se possa orgulhar tanto do seu passado”.

RODRIGO CORDOEIRO