Nike ao som de Lou Reed
Oh, such a perfect day...

“Um golo a acabar o jogo, três pontos, pimba, vai buscar.” Era Rui Coelho, ainda no calor da vitória, a comentar o ponto que deu o título de campeã nacional de empresas à sua equipa da Nike no Expresso BPI Golf Cup 2018. 

Ele e o seu parceiro, o antigo guarda-redes internacional português Ricardo Pereira, tinham acabado de bater Marco Moniz/Miguel Sousa, da açoriana Miguel Moniz Construções, por 3,5-2,5, no cômputo dos seis buracos em match play adaptado, e a Nike venceu a Finalíssima no Vidago Palace com um ponto de vantagem sobre o Colégio dos Plátanos, 39 contra 38 (a completar o quarteto de equipas presentes na Finalíssima, a Miguel Moniz Construções foi terceira com 34 e a MundoTêxtil quarta com 33).

No encontro antecedente, Pedro Silvestre/Luís Filipe Luís, que completavam o quarteto da Nike, bateram por igual a marca o outro par da Miguel Moniz Construções, Flávio Barcelos/Roberto Gomes, saindo da prova com o estatuto de MVP (Most Valuable Pair): dos seis jogos que disputaram, ganharam cinco e empataram outro, para um total de 20,5 pontos conquistados.

Tanto um como outro pares da Nike, todos com handicaps de um só dígito, davam pancadas em quase todos os buracos aos seus adversários da Ilha Terceira. 

Daí a pouco, depois da cerimónia de entrega de prémios, Rui Coelho e Pedro Silvestre, grandes adeptos portistas, estavam a caminho da Invicta, para assistirem ao Boavista-FC Porto, Ricardo acompanhando-os. 

“Se o Porto ganhar, vai ser o dia perfeito para vocês”, comentou o jornalista. “É como uma utopia”, diz Rui Coelho. E não é que o Porto ganhou com um golo ao cair do pano, já lá iam cinco minutos de descontos? “Um golo a acabar o jogo, três pontos, pimba, vai buscar.” Onde é que já tínhamos ouvido isto?

Toca Lou Reed: “Oh such a perfect day…”

Luís Filipe Luís não foi renegado nem se baldou ao Bessa, simplesmente acabou a prova, posou para as fotografias oficiais e rumou apressadamente para Lisboa, onde o esperava um voo para o Dubai, para representar a Quinta do Lago numa iniciativa do European Tour.

Esta equipa algarvia da Nike, apenas a segunda da região a sagrar-se campeã nacional de empresas (a primeira foi a Nevada Bob’s Golf em 2010, com Tomás Melo Gouveia, José Ressurreição, José Rodrigues e João Paulo Pingo), tem tradições no Expresso BPI. Já tinha ido a uma Final Nacional Açores (a anteceder a Finalíssima) antes deste ano, e mostra-se quase sempre um bloco coeso, com pontuações geralmente elevadas nas qualificações regionais no Onyria Palmares Beach & Golf Resort, em Lagos. É uma questão de os putts entrarem ou não, porque o jogo está quase sempre lá. Este ano terão entrado…

Rui Coelho e Ricardo são amigos inseparáveis no golfe e uma dupla sempre temível, Pedro Silvestre e Luís Filipe Luís também jogam juntos há muitos anos – e aliás são todos próximos uns dos outros, dentro e fora do golfe, com uma “família”, salienta Pedro Silvestre, director dos Salgados.

Junte-se à amizade um grande amor ao jogo e uma competitividade inata e está encontrada a fórmula do sucesso, à qual é preciso juntar o nome do britânico Philip Hardwick, que substituiu Pedro Silvestre nas últimas meias-finais regionais.

Texto: Rodrigo Cordoeiro

Fotografia: Filipe Guerra

*Este é o primeiro de quatro artigos sobre as equipas que marcaram presença na Finalíssima